A Canon da Escritura

Escatologia

Nesta seção você vai encontrar artigos relacionados ao cânone bíblico, o seu desenvolvimento, e as objeções protestantes mais comuns para rejeitar os livros deuterocanônicos (chamado por eles "apócrifo")

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Um diálogo entre amigos católicos e evangélicos sobre o Cânon Bíblico (Parte 1)

Por José Miguel Arráiz

Tradução: Carlos Martins Nabeto (apologeticacatolica.com.br)

Você pode lê-lo em Português, Inglês, Espanhol

DiálogoDando continuidade à série de conversações entre amigos sobre temas de Apologética, compartilho com vocês um diálogo que aborda as diferenças entre a Bíblia que nós, católicos, usamos e aquela usada por nossos irmãos cristãos de denominações [protestantes]. Como de costume, extraí os argumentos de algumas conversas com alguns amigos evangélicos. Os nomes dos participantes não são reais.

Miguel - Na nossa última conversa, você mencionou um texto do livro dos Macabeus para justificar a conveniência da oração pelos falecidos. Pesquisei um pouco e já descobri porque ele não se encontra nas nossas Bíblias: é que é um livro apócrifo, que não pertencia ao cânon judaico do Antigo Testamento e, por consequência, não tem como pertencer à Bíblia.

José - Antes de mais nada, um esclarecimento: nós, católicos, não os chamamos de “apócrifos”; só chamamos assim aqueles outros escritos que ficaram de fora do cânon bíblico. Nós chamamos esses livros de “deuterocanônicos”[1], em razão da sua autenticidade ter sido posta em dúvida várias vezes, muito mais do que os demais livros sagrados, que chamamos “protocanônicos”. Porém, deixemos de lado a terminologia e vamos nos centrar no que é importante.

Miguel - Concordo. Vamos então por enquanto chamá-los de “deuterocanônicos”, para que possamos usar uma terminologia em comum.

José - Obrigado. Pois bem, o que ocorre é que mesmo entre os judeus havia um duplo cânon: um que costumamos a chamar de “cânon palestino”, seguido pelos judeus palestinenses e que contava apenas com os livros protocanônicos[2]; e outro, o “cânon alexandrino”, que era seguido por aqueles judeus que foram deportados e que viviam no estrangeiro[3]. Estes últimos faziam uso de uma tradução da Bíblia, feita sob ordem do imperador Ptolomeu para a Biblioteca de Alexandria, conhecida por “Septuaginta”[4]. Esta tradução da Bíblia foi chamada assim porque foi feita por cerca de 70 eruditos judeus. Ela contava com todos os deuterocanônicos e foi, com certeza, a Bíblia usada por Jesus e seus discípulos.

Miguel - Como você sabe disso?

José - Porque das cerca de 350 citações do Antigo Testamento que aparecem no Novo, quase 300 concordam com o texto dos Setenta[5]. É fato aceito que trata-se do texto empregado não apenas pelas comunidades judaicas de todo o mundo antigo fora da Judeia, como também pela Igreja Cristã primitiva, de fala e cultura gregas[6].

Miguel - Ok, mas o fato de os judeus e os cristãos terem feito uso dessa versão não quer dizer necessariamente que aceitavam a canonicidade de todos esses livros. Repara, por exemplo, que os judeus atuais não os aceitam e, inclusive, na Antiguidade encontramos dois testemunhos importantes da parte do Judaísmo: 1º) Flávio Josefo[7], o grande historiador judeu, testemunha que os livros que você chama de “deuterocanônicos” não se encontravam no cânon judaico; 2º) Filon, o grande filósofo judeu de Alexandria e da comunidade judaica alexandrina de fala grega, que costumava usar a versão dos Setenta, nunca os citou.

José - Não nego que os judeus finalmente acabaram por rejeitar os livros deuterocanônicos; logo iremos apreciar as causas disso. Em relação a Josefo, não se deve perder de vista o fato de que ele escreve em um momento histórico em que esta rejeição começava a ser melhor traçada e que se tornou definitiva no final do século I e início do século II. Quanto a Filon de Alexandria, ainda que ele não tenha citado os deuterocanônicos, é certo também que tampouco citou diversos protocanônicos, que se encontram, por outro lado, nas Bíblias protestantes; nas obras de Filon que nos chegaram, não se encontram citações de Rute, Cântico dos Cânticos, Lamentações, Ezequiel e Daniel[8]. Porém, o fato de não ter citado um certo livro, não significa que ele rejeitasse a sua canonicidade; significa somente que não considerou relevante comentar algo em seus textos.

Miguel - Mas se é fato que os judeus acabaram por rejeitá-los, isso não significa que deveriam estar fora do cânon? Até porque o próprio Apóstolo Paulo reconhece que aos judeus “lhes foram confiados os oráculos de Deus” (Romanos 3,2). Então, no que se refere ao Antigo Testamento, eles tinham autoridade para decidir [o cânon].

José - Creio que não seja preciso hipervalorizar essa passagem [de Paulo] para que diga algo que de fato ela não diz. Aos judeus, como povo eleito de Deus, foi-lhes confiado inicialmente a Revelação; esta, porém, foi depois confiada à Igreja, que em última instância pôde discernir de forma autorizada e definitiva sobre o cânon.

Miguel - Entendo que a Igreja Cristã recebeu a autoridade da parte de Deus logo após os judeus não crerem no Messias; porém, quanto ao Antigo Testamento, ele foi escrito antes da Era da Igreja, de modo que eles, [os judeus,] tinham sim autoridade para decidir [o cânon].

José - O problema é que você está dividindo os livros da Escritura com base em uma divisão humana e meramente organizativa. “Antigo Testamento” e “Novo Testamento” são títulos que nós damos para agrupar aqueles livros que foram escritos antes e depois da vinda de Cristo; mas todos e cada um deles fazem parte de uma única Revelação que foi progredindo no tempo. Quanto ao discernimento definitivo de quais livros fariam parte do cânon, isto cabe à Igreja, por ser ela a portadora das chaves do Reino dos Céus (Mateus 16,19). Ou será que a Bíblia menciona em algum lugar esta subdivisão e diz quando o cânon seria definido?[9] Não podemos impor sobre o Cristianismo a palavra do Judaísmo, porque este, em sua maioria, acabou rejeitando o Messias; sobretudo quando ficamos sabendo que as principais razões pelas quais os judeus acabaram por rejeitar esses livros foi porque os apologistas cristãos os empregavam para demonstrar-lhes que Jesus era o Messias.

Miguel - Que apologistas?

José - Temos o testemunho de Justino Mártir, o mais célebre apologista do século II, do qual se conserva um debate com um judeu da época, em que ele lança ao seu oponente, Trifão, que os judeus tinham rejeitado a versão dos Setenta exatamente por esta razão[10]. O motivo é bastante óbvio: porque existem nos deuterocanônicos alguns textos tão claros sobre o Messias que terminava convertendo muitos judeus em cristãos.

Miguel - Você se lembra de algum desses textos?

José - Veja este texto do livro da Sabedoria: “ARMEMOS ARMADILHAS AO JUSTO, que nos incomoda, desafia o nosso modo de agir, nos lança na cara as faltas contra a Lei e nos culpa das faltas contra a nossa educação. Ele se gloria de ter o conhecimento de Deus e CHAMA A SI MESMO 'FILHO DO SENHOR'. Reprova os nossos critérios; sua simples presença nos irrita; leva um vida diferente dos demais; e seus caminhos são estranhos [a nós]. Nos tem por bastardos; se afasta dos nossos caminhos, como se fossem impurezas; proclama bem-aventurada a sorte final dos justos; e SE UFANA DE TER A DEUS POR PAI. Vejamos se as suas palavras são verdadeiras; examinemos o que ocorrerá durante a sua passagem. POIS SE O JUSTO É FILHO DE DEUS, ELE O ASSISTIRÁ e o livrará das mãos dos seus inimigos. Submetamo-o ao ultraje e ao sofrimento, para conhecer a sua coragem e provar a sua retidão. VAMOS CONDENÁ-LO A UMA MORTE VERGONHOSA POIS, SEGUNDO ELE MESMO, DEUS O SOCORRERÁ" (Sabedoria 2,12-20). A semelhança com o que veio a ocorrer com Jesus, o “justo” por excelência, é tão espantosa que dificilmente pode ser tida por mera coincidência. Repara que aí se fala de um justo que se chama a si mesmo de “Filho de Deus”, que foi precisamente uma das razões pelas quais os judeus queriam matá-Lo: “Por isso os judeus tentavam, com maior empenho, matá-Lo, pois não apenas desconsiderava o sábado, como também chamava Deus de seu 'próprio Pai', tornando-se a Si mesmo igual a Deus” (João 5,18). Além disso, [os ímpios] planejavam submetê-Lo ao ultraje e à morte vergonhosa, e ironizavam da mesma forma que [os judeus] ironizaram Jesus na cruz: “Colocou a sua confiança em Deus; que Este o salve agora, se é verdade que O quer bem, já que disse: 'Sou o Filho de Deus'” (Mateus 27,43; Marcos 15,32).

Miguel - Realmente essa passagem parece profetizar o que ocorreria a Jesus.

José - Pois é... E lamentavelmente não se encontra na Bíblia que vocês usam...

Miguel - Ok, podemos estar de acordo com o critério de que os judeus não podem estar acima da Igreja Cristã. Mas também pude averiguar que muitos Padres da Igreja também rejeitavam os livros que você chama de “deuterocanônicos”. E quando digo muitos, quero mesmo dizer que eram MUITOS.

José - Como te disse no início, os deuterocanônicos suscitaram dúvidas muitas vezes acerca da sua inspiração e canonicidade, coisa que também ocorreu em menor medida com os protocanônicos. Vou te dar um exemplo: o cânon mais antigo do Novo Testamento que chegou até nós é o chamado “Fragmento de Muratori”, datado de finais do século II. Ali não se encontram as cartas aos Hebreus, Tiago e 2Pedro, apesar de hoje todos nós, católicos e evangélicos, as aceitarmos como parte integrante da Bíblia. Isto demonstra que inclusive em uma época já tardia, a questão do cânon ainda não estava totalmente definida[11]. Se alguém estuda a história do cânon, verá que a concordância foi se produzindo paulatinamente; porém, isto não era definido com base em opiniões particulares, mas em decisões autorizadas da Igreja. Encontra-se aí o caso de Padres ilustres da Igreja do porte de São Jerônimo e Santo Agostinho: o primeiro, no início, rejeitava os deuterocanônicos; o segundo, pelo contrário, os defendia. A rejeição inicial do primeiro cedeu diante do pedido do Papa, para que os incluísse na Bíblia, que desde aquela época a Igreja Católica passou a empregar: a Vulgata Latina. As primeira decisões autorizadas do cânon encontram-se em dois documentos: o primeiro é chamado “Decretais de Gelásio”, cuja parte essencial é atualmente atribuída a um Concílio [regional] convocado pelo Papa Dâmaso em 382 d.C.; o outro, é o cânon do Papa Inocêncio I, remetido em 405 d.C. a um Bispo da Gália, em resposta ao seu pedido de informação. Esses dois documentos contêm todos os deuterocanônicos, sem qualquer distinção [em relação aos protocanônicos], e são idênticos ao catálogo do Concílio de Trento. Assim, mais do que nos basearmos em opiniões particulares - que eram perfeitamente respeitáveis e compreensíveis enquanto a questão não estava ainda definida - na Igreja acolhemos as decisões autorizadas. E não é mera casualidade que em absolutamente TODOS os Concílios realizados pela Igreja para definir o Cânon (sejam eles regionais ou ecumênicos), os deuterocanônicos sempre foram incluídos, tal como ocorreu no Concílio de Hipona (393 d.C.) e nos três de Cartago (393, 397 e 419 d.C.), até que foi formalmente definido, de maneira definitiva, pelo Concílio de Trento (1546 d.C.). Ora, não podemos rejeitar livros que estiveram na Bíblia da Igreja durante 16 séculos[12] apenas porque, em pleno século XVI, Martinho Lutero decidiu rejeitá-los. E isto porque, da mesma forma que ocorria com os [antigos] judeus, lhe incomodava o que estes livros diziam: contradiziam a sua doutrina [pessoal] da Salvação apenas pela fé, as orações pelos falecidos, o Purgatório etc. Na verdade, muitas pessoas não sabem, mas Lutero tentou também, sem obter sucesso, excluir quatro livros do cânon do Novo Testamento: Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse.

Miguel - Não sabia disso. Mas não vejo razões para que ele fizesse isso...

José - Eu posso imaginar o porquê... Eu diria que foi porque em Hebreus se afirma a possibilidade de alguém perder a salvação (2,3; 5,9); em Tiago se afirma que o homem é justificado também pelas obras e não somente pela fé (2,24); em Judas se afirma que aqueles que criam divisões na Igreja são ímpios que carecem do Espírito Santo (1,18-19); e no Apocalipse se diz que todos serão julgados conforme as suas obras (20,13). Todos esses ensinamentos são incompatíveis com a doutrina de Lutero[13].

Miguel - Esta conversa foi muito interessante. Ainda restam alguns pontos que eu gostaria de tratar em uma próxima ocasião.

José - Pois será um grande prazer...

NOTES

[1] Os livros “deuterocanônicos” foram excluídos das Bíblias protestantes. São eles: Tobias, Judite, Ester, 1Macabeus, 2Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (também chamado “Sirácida”) e Baruc.

[2] Ainda é discutível se os judeus da Palestina chegaram a excluir definitivamente os deuterocanônicos.

[3] A Diáspora é um termo empregado para se referir às populações judaicas expulsas de sua terra e dispersas em razão de diversas guerras. O Primeiro Exílio ocorreu em 586 a.C., quando o rei dos babilônios, Nabucodonosor II, conquistou o Reino de Judá, destruiu o 1º Templo e transladou os líderes judeus para a Babilônia. Setenta anos depois, o rei persa Ciro II, o Grande, permitiu que os judeus retornassem para a Terra de Israel, após ter conquistado os babilônios; porém, nem todos retornaram. O Segundo Exílio ocorreu no ano 70 d.C., quando o general romano Tito, futuro imperador, derrotou uma revolta judaica e destruiu o 2º Templo. Um maior número de judeus foi expulso posteriormente, quando foi esmagada a rebelião de Bar Kojba no ano 135 d.C. Desde então, os judeus se dispersaram por todo o Império Romano e, logo a seguir, por todo o mundo, encontrando-se hoje em quase todos os países.

[4] A tradução da Septuaginta, ou Versão dos Setenta, foi iniciada no final do século III (ano 280 a.C.) e encerrada no fim do século II.

[5] Cf. R.Cornely, “Introductio generalis”. Paris: CSS, 1894, nº 31; H.H.Swete-R.R.Ottley, “An Introduction to the Old Testament in Greek”. Cambridge, 1914, pp. 381-405.

[6] Norman Davidson. “Early Christian Doctrines, Continuum”. Londres-Inglaterra, 1958, p. 53.

[7] Flávio Josefo foi um importante historiador judeu, de origem farisaica, nascido em 37 d.C. e falecido em 101 d.C. Feito prisioneiro e transladado a Roma, chegou a ser muito querido pela família imperial Flávia. Escreveu em Roma, em língua grega, suas obras mais conhecidas: “A Guerra dos Judeus”, “Antiguidades Judaicas” e “Contra Apião”, graças às quais possuímos hoje importantes informações históricas sobre aquela época. Foi considerado [pelos judeus] traidor da causa judaica.

[8] Herbert Edward Ryle, D.D. “Philo and the Holy Scripture”. Londres: Macmillan and Co., 1895.

[9] Jesus e os Apóstolos geralmente se referem ao Antigo Testamento como “a Lei e os Profetas”, mas nunca apontam quais livros tinham por canônicos, nem que algo teria sido fixado em definitivo antes da vinda de Jesus.

[10] Em seu “Diálogo com Trifão”, no nº 71 escreve: “Não confio em nada do que vossos mestres dizem, que não admitem que a tradução feita pelos setenta anciãos que estiveram com Ptolomeu foi bem feita... e quero ainda que saibais que eles (=vossos mestres) cortaram por completo muitas passagens da versão dos Setenta anciãos que estiveram com Ptolomeu, as quais demonstram que este mesmo Jesus crucificado foi expressamente pregado como Deus e homem... Como sei que a vossa raça rejeita [essas passagens], não perco tempo discutindo [sobre elas], mas passo para as provas extraídas daquelas [passagens] que todavia admitis” (Daniel Ruiz Bueno. “Padres Apologetas Griegos”. BAC: Madrid, 1996, p.431). Também escreve no nº 120: “Não estou discutindo convosco sobre uma frasezinha, de modo que também não perdi tempo em fundar a minha demonstração sobre Jesus nas Escrituras que vós não reconheceis - como aquelas passagens que apontei, dos profetas Jeremias, Esdras e Davi - mas naquelas que vós até agora reconheceis” (idem, p. 512).

[11] Apesar de todos os livros da Bíblia terem sido escritos antes do final do século I, o discernimento e a definição do cânon levou algum tempo.

[12] As Bíblias empregadas pela Igreja Cristã nos primeiros 16 séculos foram a Septuaginta e a Vulgata Latina.

[13] Para Lutero, o Novo Testamento era constituído principalmente pelo Evangelho de São João e pelas cartas de São Paulo e São Pedro. Ao contrário, os três Evangelhos Sinóticos não lhe mereciam grande apreço. No Prólogo de uma das suas edições do Novo Testamento, escreveu: “Deve-se distinguir entre livros e livros. Os melhores são o Evangelho de São João e as Epístolas de São Paulo, especialmente aquelas aos Romanos, aos Gálatas e aos Efésios, e a 1ª Epístola de São Pedro; estes são os livros que te manifestam Cristo e que te ensinam tudo o que precisas para a Salvação, ainda que não conheças nenhum outro livro. A Epístola de Tiago, diante destes, nada mais é que palha, pois não apresenta nenhum caráter evangélico” (Prólogo do Novo Testamento de 1546. Bibel 6,10). Por outro lado, nega que a Epístola aos Hebreus seja de São Paulo; e da Epístola de São Judas diz que é um extrato da de São Pedro e que, portanto, é desnecessária. Em relação ao Apocalipse, expressa a sua rejeição, pois discorda que Cristo atue como um juiz severo: “Não encontro neste livro nada que seja apostólico nem profético” (Bibel 7,404). Quanto aos livros do Antigo Testamento, empregou o mesmo procedimento de aceitá-los ou rejeitá-los conforme coincidissem ou não com as suas próprias interpretações teológicas.

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